O Laboratório de Investigação, Ensino e Extensão em Migração, Nação e Região de Fronteira (LIMINAR) nasceu do encontro entre pessoas, ideias e territórios. Surgiu em 2008, a partir da iniciativa de estudantes e docentes do recém-criado campus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com o desejo de compreender criticamente as transformações trazidas pelas migrações contemporâneas e pelas experiências vividas nas fronteiras – geográficas, simbólicas e sociais.
Desde os primeiros encontros, o LIMINAR se constituiu como um espaço de escuta e produção coletiva de conhecimento, onde pesquisa, ensino e extensão se entrelaçam. Essa característica marcou o primeiro projeto de extensão do grupo, realizado em 2010, intitulado A literatura de cordel nas escolas do bairro dos Pimentas. A iniciativa levou à comunidade escolar de Guarulhos a valorização da cultura popular e a reflexão sobre as identidades e linguagens presentes no território.
Com o tempo, o grupo cresceu e se diversificou. Em 2010, com o início dos cursos de pós-graduação na Unifesp, novas gerações de pesquisadoras(es) passaram a integrar o LIMINAR, fortalecendo a interlocução entre diferentes níveis de formação e experiências acadêmicas. O grupo tornou-se um espaço de aprendizagem e de criação, em que os temas das migrações, mobilidades, fronteiras passaram a ser discutidos a partir de múltiplas perspectivas teóricas e metodológicas.
Entre as ações que marcaram essa trajetória está o Curso de Português para Imigrantes, iniciado em 2019, iniciativa voltada ao acolhimento de pessoas migrantes e refugiadas residentes na Grande São Paulo.
Durante o período da pandemia, entre 2020 e 2022, o grupo reinventou seus modos de encontro, mantendo reuniões virtuais e criando novas formas de presença e cooperação à distância. Esses anos continuou promovendo diálogos, e atividades formativas.
Em 2024, o grupo passou por um processo de reorganização, estruturando-se em cinco comissões de trabalho com o objetivo de consolidar sua atuação nas três áreas fundamentais da universidade: pesquisa, ensino e extensão. Essa reestruturação marcou uma nova etapa da história do LIMINAR, pautada na ampliação das parcerias e na presença ativa nos espaços públicos e digitais.
O atual Projeto LIMINAR (2025–2027) expressa essa maturidade e continuidade. Nele, o grupo desenvolve um Seminário Permanente de Migrações, promove a produção de podcasts, vídeos e materiais educativos, organiza intervenções artísticas em espaços da universidade e mantém o Curso de Português para Imigrantes, reafirmando a integração entre teoria e prática, universidade e sociedade.
Essas ações são realizadas em diálogo com uma ampla rede de parceiros e coletivos: organizações da sociedade civil e instituições acadêmicas e redes de pesquisa.
Com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Violência, Poder e Segurança Pública (INViPS), o LIMINAR ampliou também sua infraestrutura audiovisual, incorporando equipamentos de gravação e edição que permitiram a criação de um canal no YouTube e o fortalecimento da presença digital do grupo. Nas redes sociais — como Instagram e LinkedIn — o LIMINAR divulga eventos, parcerias e produções, estimulando a formação de novas redes de colaboração e o diálogo com outros grupos de estudos sobre migração e fronteiras.
O LIMINAR nasce como um espaço de encontro e criação coletiva. Inspirado na ideia de “limiar”, representa um território de passagem e transformação — um entre-lugar onde o conhecimento se move e se recria no diálogo entre universidade e sociedade. Aqui, as fronteiras são compreendidas não como limites, mas como zonas de diálogo, formas de estar e de pensar o mundo.